O Brasil tem uma exposição bem baixa às tarifas dos EUA, tanto direta quanto indiretamente, porque é uma economia mais fechada, segundo o Bank of America. A Moody’s também diz que as tarifas sobre aço e alumínio não devem afetar muito o Brasil. Produtos de aço representam menos de 1% das exportações brasileiras para o México e pouco menos de 5% para os EUA, e o Brasil não é um grande fornecedor de alumínio para os EUA.
Mesmo que as tarifas impactem os produtores de aço, principalmente no México, que envia quase 90% das suas exportações de aço para os EUA, a Moody’s não espera grandes efeitos na economia como um todo. O principal problema para o Brasil seria o impacto indireto causado pela desaceleração da economia global, especialmente da China, que afeta a demanda por commodities, como minério de ferro e petróleo, que representam cerca de 15% das exportações brasileiras.
Embora os EUA sejam um grande mercado para o aço brasileiro, a maior parte da produção do país é consumida internamente. Se o mercado dos EUA fechar, o Brasil pode encontrar novos destinos para as exportações de aço.
Além das tarifas sobre aço e alumínio, o Brasil já foi ameaçado por Trump em relação a outras políticas comerciais. O presidente dos EUA criticou o Brasil por taxas consideradas “injustas” e afirmou que, em abril, ele deve anunciar tarifas recíprocas para os parceiros comerciais, incluindo o Brasil, especialmente sobre o etanol. Além disso, se o Brasil continuar com a ideia de criar uma alternativa ao dólar com os países do Brics, Trump ameaça aplicar tarifas de 100% nos produtos dessas nações.
Se isso acontecer, as tarifas médias dos EUA sobre os produtos brasileiros podem subir de 1-2% para quase 10%, segundo a Moody’s.
Mesmo com essas ameaças, alguns setores no Brasil estão preocupados com as barreiras comerciais. Quando Trump anunciou as tarifas sobre aço e alumínio, a Associação Brasileira do Alumínio (Abal) se manifestou preocupada. O governo brasileiro está tentando negociar com os EUA para buscar possíveis exceções ou acordos. O vice-presidente Geraldo Alckmin teve uma conversa positiva com autoridades americanas e segue apostando no diálogo. O Brasil e os EUA também criaram um grupo de trabalho para discutir as tarifas.
Se as negociações não avançarem, o governo Lula está considerando reduzir a tarifa de importação sobre o etanol ou até criar uma medida provisória para retaliar as tarifas dos EUA.